domingo, 11 de agosto de 2013

Em mercado de graduandos quem tem Doutorado é rei?

Bom dia meus caros.
No domingo passado, mostrei a um amigo, formado em Engenharia da Computação, o tablet que o Estado de São Paulo me forneceu para me auxiliar nas minhas aulas. Começamos por discutir o aparelho em si, que era de uma marca dita inferior, e suas qualidades. Como todas as entidades mundanas são interdependendes e por consequência, nada pode ser analisada de forma isolada, começamos a pensar as qualidades desse aparelho de forma dependente a suas utilizações. E a primeira conclusão a que chegamos (e menos relevante para esse texto) é de que, talvez, esse tablet não tenha muita aplicação pedagógica. Então começamos a falar sobre os aparelhos, por exemplo o Galaxy S4 que possui um sensor tão sensível, que o usuário é capaz de folhear um e-book sem tocar na tela, a questão é: para que serve isso, num celular? Para o meu amigo, serve somente para gastar  bateria e deixar o artigo mais caro. Descobri nessa conversa que a Google fagocitou a Motorola mobile, em 2011 ( descobri também como estou alienado) e que eles estão lançando esse ano um aparelho celular concorrente do S4 muito mais enxuto, com menor numero de especificações e essas sendo mais relevantes do que as do concorrente. A questão aqui é: a que se propõe o celular? A auxiliar o seu dono a se comunicar? Então suas especificações devem ser pertinentes e imprescendíveis para tal objetivo. Talvez um bom acesso a internet, para o usuário consegui um acesso rápido a sua caixa de e-mail, as redes sociais. Talvez uma boa antena, para que o proprietário felizardo não fique isolado sem sinal. E como, a cereja do bolo, uma boa camera fotográfica, para o usuário se comunicar também por imagens, por que não? Tudo isso em algo que caiba em uma palma da mão, não adianta ser um celuular que pareça uma placa de vidro de 10 polegadas que não possa ser manuseada de forma simples. Tudo bem Igor, já sabemos que você está na crista da onda e é um rapaz suuuuuuper antenado, mas como esse assunto se relaciona com o seu Doutorado? Pensem em como esses aparelhos eletrônicos estão sofrendo uma espécie de seleção " natural" que modificam suas formas e agora suas especificações. Penso que classificar e selecionar padrões pertinentes é o que temos de mais humano e por isso essa seleção parece-me permear nossas vidas, em todos os aspectos,  inclusive o profissional. Penso também que estamos em uma epóca complicada de transição onde o barroco rococó convive lado a lado com ideal de simplicidade ( agora é clean) arcadista. Pensem agora em nossas formas e especificações... Quanto a nossa forma não podemos fazer muita coisa, e talvez nem seja essa a intenção e nem o importante. Mas e quanto as especificações? Falo aqui das especificações profissionais (Pós-graduação, especializações, cursos). Poderíamos falar sobre especs. pessoais, mas esse não é objetivo do texto.
Aqui as questões são: será que as minhas especs. são selecionáveis? Será que possuo todas as especs. pertinentes e relevantes ao que me proponho? Será que não possuo nenhum rococó sem utilidade? Pensem em termos de seleção no mercado e o como o conhecimento como mercadoria. Evidentemente, a construção da vida profissional não é algo tão simples quanto o lançamento de um novo celular no mercado, para que eu não perca a analogia totalmente, digo que, no caso de humanos, devemos antes de mais nada achar especs. profissionais que se combinem muito bem com as especs. inerentes de cada um (aptidões, competências e, por que não, afinidades). Além disso, há indivíduos ( e aí reside meu problema e da maioria dos pesquisadores brasileiros) que escolheram especs. profissionais com aplicabilidade potencial e teórica. Potencialmente, num futuro próximo, essas especs podem trazer alguma vatagem e serem selecionadas mas atualmente parecem mais com uma cauda de pavão que implica em menos agilidade e competitividade.
É possível que apenas eu não tenha pensado nisso e todos os que escolheram o caminho da pesquisa o fizeram já sabendo dos riscos (eu ficaria muito feliz se isso fosse verdade) mas não custa nada reforçar o já estabelecido. Para todos que estão entrando nessa de pesquisa queria dizer que é gratificante, pessoalmente, se aprende muito na pesquisa,
porém NADA se ganha em adaptabilidade ou na hora da seleção mercadológica (pelo menos na minha área). E aqui a questão é: Será que você realmente precisa desse

pendulicário rococó no conjunto de especs. profissionais que formam o seu currículum?

domingo, 9 de junho de 2013

Para você ver como são as coisas.

Boa noite pessoal. Como tem passado?
Desde a última postagem minha vida não mudou muito. Tento da melhor forma possível conduzir o meu doutorado para que consiga, um dia, quem sabe ser um pesquisador competente e útil (não só para o meu grupo mas para a sociedade). Na maioria das vezes, acho um caminho muito difícil mas recompensador. Contudo, há algumas vezes que me sinto desanimado, incompetente e irremediavelmente fadado a um futuro sem perspectivas como professor de escola estadual (ultimamente castigo somente comparado ao Tártaro de Hades). Mas há eventualidades nas quais sinto-me frustrado ao ver como algumas pessoas tratam as coisas públicas fazendo com que elas se tornem privadas. Digo, com que direito alguém, em uma universidade pública, proclama algo, um objeto ou projeto, como seu? Como alguém usufrui do dinheiro, destinado a um laboratório, a seu bel-prazer? Por vezes, atino que sou demasiado idealista e romântico, beirando a ingenuidade ou ainda a imbecilidade, para entender de fato como as coisas realmente funcionam ou são operadas dentro de uma universidade pública e portanto não mereço estar onde estou (uma vez que sou um imbecil) e sendo assim me sinto pequeno, fraco e impotente em relação aos acontecimentos que me cercam.
Além disso, tento auxiliar as pessoas que estão a minha volta uma vez que isso tem dois efeitos positivos incríveis: o primeiro deles é bem óbvio, quando você ajuda alguém, essa pessoa se eleva e talvez, futuramente, ela possa te ajudar quando você necessitar. O segundo motivo está um pouco mais implícito. Quando há essa troca de informações, muitas vezes, você ganha experiência, skills, para enfrentar dificuldades vindouras.
A ciência é algo engraçado. Não deve haver lugar para competições, para rivalidades frívolas, efêmeras, tal qual seus propagadores, antes deve haver somente cooperação não por altruísmo e sim por beneficiamento mútuo das partes cooperadas. A ciência é sim uma instituição humana, feita por humanos para os humanos, por isso é passível de erros. Entretanto, ela deve ser maior do que os humanos pois deve agir como um instrumento de prospecção do futuro e não algo voltado para o presente. Ela deve ser tão perene quanto a vida da humanidade e não tão efêmera quanto a vida de um humano. Foi por acreditar nisso que eu estudei Biologia e pretendo me tornar um pesquisador um dia. A ciência é algo muito maior do que e você porém é nosso patrimônio para hoje e o nosso legado para os futuros humanos. Enquanto houver pequenas pessoas discutindo "o meu e o seu" não haverá espaço para discutir o NOSSO FUTURO. É, sou um ingênuo.
Até a próxima postagem.

domingo, 3 de outubro de 2010

Vida de Dotô. Por quê?

Primeiramente, esse blog deveria se chamar Vida de quase Doutor por se tratar de um blog no qual irei relatar alguns fatos acontecidos em minha vida profissional (eu acabei de ingressar no doutorado) porém não parece tão propício quanto somente Vida de Doutor.

Terei que derramar sangue, suor e lágrimas para obter esse Título. Porém poderia ter sido muito mais fácil, eu poderia ter me graduado em Direito, Medicina ou Odontologia pois tradicionalmente ( e sem nenhuma justificativa acadêmica para isso) os profissionais dessas áreas podem se utilizar desse título. Não é engraçado? Eles podem carregar tal título sem ao menos ter feito. Qual seria a origem e o real significado da palavra Doutor? Bem essa palavra parece ter origem nas línguas indo-européias e ela significa (mestre, o que ensina).

Se esse for o caso, não creio que de um modo geral tais profissionais precisem de tal título por que a função deles não é ensinar. Tal título fica muito melhor sendo portado por um professor, afinal de contas é dele a função de ensinar.

Além disso, pelo nível de especialização os Doutores (os que fizeram doutoramento) possuem também a capacidade de ensinar, transmitir os seus conhecimentos para as gerações futuras.

E é por isso que o título desse blog é Vida de Dotô, por que ao meu ver houve uma banalização do título e por isso um esvaziamento do seu real significado e consequentemente do seu valor. Ouço por aí “O Dotô Fulano(médico) vai me ajudar. O Dotô Não sei das quantas vai abrir o processo” eu não agüento mais.

Essa discussão parece inútil não é? Não é tão inútil, pois se tivermos um olhar mais atento e crítico sobre essa tradição veremos que o que estamos fazendo é atribuindo valores desmedidos para as profissões. Quando chamamos um médico de Doutor estamos atribuindo a esse um valor que não lhe é devido, quando chamamos um professor de ... professor, ele não parece tão importante quanto um Doutor Fulano de tal porém sabemos que as coisas deveriam ser bem diferentes.

Além disso, vejo aqui talvez a raiz de toda a arrogância e prepotência de alguns desses profissionais (Médicos, Advogados e Dentistas). E mais, talvez não houvesse tantas pessoas desejando se passar por Médico se não superestimássemos essa profissão e sem falar dos erros médicos, só imaginem... Se déssemos realmente algum valor aos professores (esses sim dignos do título Doutor) seríamos pessoas mais esclarecidas, nossas crianças mais instruídas e provavelmente nossas cidades mais pacificas.

É com pequenos gestos que mudamos o nosso em torno.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Inauguração

Boa Noite Pessoas.

Bem, estamos aqui para fazer a postagem inaugural desse meu novo blog. Onde postarei reclamações a cerca da minha vida profissão ( quando esse for o caso marcarei para que você possa decidir se vai ler ou não). Mas também será um espaço onde tentarei colocar coisas interessantes a cerca da minha profissão (como vcs podem ter visto no meu perfil eu sofro do mal de ser um biólogo). Ahh!!! e terá também algumas opiniões minhas sobre a política brasileira e tudo mais.
E que devo frisar é que são estritamente opiniões minhas e por isso ninguém deverá tomá-las como verdade absoluta (já que essa é uma entidade mitológica e por isso padece do mal de não-existência, acho que posso exprimir minhas opiniões). Por enquanto é isso pessoas.

Até